Waldemar Lopes

Waldemar Lopes (1911- 2006)

Segundo o poeta e amigo de sua geração, Carlos Drummond de Andrade, sua obra é considerada como “ ouro de palavras, raro e nobre lavor. Com que arte recolocou o soneto em sua antiga dignidade!” e ainda na opinião de Gilberto Freyre, ele representa  um “sonetista dos maiores deste país”. 

Waldemar Freire Lopes, nascido em 1.º de fevereiro de 1911, é natural de Peri-Peri, então município de Quipapá, hoje pertencente a São Benedito do Sul, Pernambuco, faleceu no Recife, em 21 de outubro de 2006, aos 95 anos de idade. Parte da sua formação intelectual foi iniciada em Pernambuco e completada no Rio de Janeiro, com diversos campos de interesse: jornalismo, literatura, administração pública, economia, sociologia rural e direito internacional público. Também foi diplomado no Curso Superior de Guerra pela Escola Superior de Guerra, do Estado Maior das Forças Armadas, turma de 1951.

Desde muito jovem, colaborou em jornais e revistas de Pernambuco e Estados vizinhos. Em 1938, foi editorialista  e Secretário do Jornal do Commercio, do Recife, e representante do jornal A Noite do RJ, Vice-Presidente da Associação de Imprensa de Pernambuco, Secretário-Geral do Núcleo Pernambucano  da Sociedade dos Amigos de Alberto Torres e Delegado Especial da Diretoria de Estatística do Ministério da Agricultura.

No Rio de Janeiro, onde residiu durante longos anos, ocupou vários cargos na alta direção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, entre os quais os de Diretor da Secretária-Geral do IBGE, Secretário-Geral do Conselho Nacional de Estatística  e Diretor-Geral do Serviço Nacional de Recenseamento. Foi membro da Comissão Censitária Nacional e da Comissão Nacional de Política Agrária.

 Atuou na imprensa carioca durante alguns anos, tendo sido, também, diretor da Revista Brasileira de Estatística e da Revista Brasileira dos Municípios, além de diretor-secretário, por dez anos, da Síntese Política , Econômica e Social ( primeira fase), da Pontifícia Universidade Católica.

Serviu à Organização dos Estados Americanos de 1954 a 1976, inclusive como diretor de seu Escritório no Brasil e representante de sua Secretaria-Geral junto ao Governo brasileiro  no Rio de Janeiro e em Brasília. Representou o Brasil no Committee on Improvment of National Statistics nos Estados Unidos, tendo presidido a reunião desse comitê em 1954.

Pertencia a várias instituições técnicas e culturais tanto no Brasil como no Exterior:  Estados Unidos, França e Portugal. Em Brasília, exerceu os cargos de Presidente do Clube de Poesia ( dois mandatos), de Vice-Presidente da Associação Nacional de Escritores e de Secretário-Geral da Academia Brasiliense de Letras.

Em Teresópolis, RJ, foi Presidente da Academia Teresopolitana de Letras ( três mandatos) e do Conselho Municipal de Cultura. É cidadão honorário daquela cidade fluminense, onde exerceu intensa atuação cultural e a que doou grande parte de sua biblioteca particular. O mesmo título lhe foi concedido pelos municípios de Palmares e Cachoeirinha ( Pernambuco).

É detentor de várias homenagens, distinções honoríficas e também de prêmios literários, na área da poesia. Por ato do Governo de Pernambuco, seu nome figura entre os agraciados da Ordem do Mérito dos Guararapes, no grau de Comendador.

Apesar da longa interrupção verificada em suas atividades literárias, em razão das inúmeras funções que exerceu durante muitos anos, tanto no jornalismo quanto nos setores da administração pública e de cooperação internacional, tem diversas obras publicadas, em prosa e verso. Seu livro de estreia é de 1929. Em 1971, publica Sonetos do Tempo Perdido, em que o poeta e amigo Manuel Bandeira diz que os sonetos dessa obra “representam poesia da melhor escrita no Brasil”.

Membro da Academia Pernambucana de Letras, da qual foi Vice-Presidente e diretor da revista, da Academia de Artes e Letras do Nordeste Brasileiro e da Sociedade de Médicos Escritores, Pernambuco ( sócio honorário).

Foi também sócio correspondente da Academia Alagoana de Letras, da Academia Paraibana de Letras e da Academia de Letras da Bahia. Ocupou na Academia Brasiliense de Letras a Cadeira número 19, que tem como patrono Castro Alves.

Pertencia também à  Associação Internacional dos Amigos de Ferreira de Castro (Portugal), cujo Pelouro Cultural integrou, durante anos. Alguns dos seus versos estão no monumento de homenagem ao escritor Ferreira de Castro, na cidade do Porto, Portugal.

                >>  Das principais obras do autor:

 

-Legenda. Tipografia Ideal, 1929.

– Sonetos do Tempo Perdido
(Prêmio do PEN-Clube do Brasil). Editorial Palmares,  1971.

-Inventário do Tempo. Lia Editor, 1974.

-Os Pássaros da Noite ( Prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal). Clube de Poesia de Brasília, 1974.

– Sonetos de Despedida, Brasília, 1976.

– Sonetos do Natal, Rio de Janeiro, 1977.

– Elegia para Joaquim Cardozo, Edições Cadernos da Serra,  1979.

– O Jogo Inocente (Alexandrinos com dedicatórias). Edições Cadernos da Serra,  1979.

– Memória do Tempo (Cento e três sonetos), Padrão Livraria Editora, 1981.

– Sonetos de Portugal, 1ª edição, Clube de Poesia e Crítica de Brasília, Gráfica Pedra do Sino, Teresópolis, RJ, 1983; 2ª edição, Academia Pernambucana de Letras, Editora Comunicarte, Recife, PE, 1994; 3ª edição, Academia Brasiliense de Letras, Brasília, DF, Editora Comunicarte, Recife, PE, 1995; 4ª edição, Ed. Novo Horizonte, PE, 2005.

– As Dádivas do Crepúsculo – Editora Bagaço, 1996.

– A Flor Medieval – Editora Comunicarte, 1996.

– Sombras da Tarde – Editora Livros de Amigos, 1999.

– Cinza de Estrelas – Editora Livros de Amigos, 2001.

– Tradução: Canto a Brasília, de Carlos Manini-Rios, 1973.

– PROSA VARIADA DE ONTEM E DE HOJE (1, 2, 3) Comunigraf, 2006.